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NUCLEAR #13 Ter peito e espaço

Olá!

O suicídio em massa de Igbo Landing ganhou uma dimensão mitológica, a sua força penetrou a cultura popular e continuam a ser criadas obras que referenciam este acontecimento, como é o caso de “Love Drought”, de Beyoncé. Billie Holiday editou “Strange Fruit” mais de uma década antes do movimento pelos direitos civis afro-americanos, a canção tornou-se um acto de resistência e contribuiu fortemente para a mudança do tecido cultural americano, abrindo caminho a múltiplas expressões artísticas que lhe sucederam. James Baldwin continua, hoje, a ter uma mensagem tão urgente como tinha na década de 60. São três fragmentos artísticos e culturais aprofundados neste episódio e newsletter. 

Além de Billie Holiday e Beyoncé, esta edição do podcast tem canções de Sam Cooke, Lauryn Hill, Blood Orange e Sara Tavares com Plutónio e Branko, num remix de “Ter Peito e Espaço”. É precisamente esta canção que empresta o título ao NUCLEAR #13, porque é importante habitar um espaço de compaixão quando somos confrontados com realidades dilacerantes. 

Novo episódio disponível para escuta! Em Maio o NUCLEAR vai recuperar energia para voltar a dançar em Junho com novas edições. A newsletter desta semana foi reconfigurada para dar espaço aos três momentos de maior relevância do episódio #13, que merecem, verdadeiramente, ser aprofundados. Fiquem connosco! 

Clique aqui para ouvir
NUCLEAR é um podcast sobre energia cultural, com Tiago Fortuna, onde se pensa e fala sobre diversas artes, mas, sobretudo, ouve-se música. Existe tanto espaço para dançar como para chorar, tomando abrigo na liberdade que a cultura nos dá. 

EM FOCO: O ESTRANHO FRUTO NORTE-AMERICANO EM TRÊS ACTOS CULTURAIS

ACTO I. Billie Holiday e a interpretação de “Strange Fruit”

Billie Holiday editou “Strange Fruit” em 1939. É um tema desconcertante. Retrata de forma crua um linchamento, mas, dando voz a um, representa muitos mais. Como se escreve neste artigo, do The Guardian, pode não ter sido a primeira canção de protesto e resistência do povo afro-americano, mas foi a primeira com uma mensagem política explícita no circuito cultural e do entretenimento. 

Billie Holiday foi uma mulher bisexual sem pruridos. Esteve presa um ano mas foi perseguida pelo governo americano durante vários. Na acusação, alegavam o seu uso de drogas mas isso era, na verdade, uma máscara para persegui-la por insistir em cantar “Strange Fruit” e desafiar o sistema permanentemente. Para aprofundar a sua história recomenda-se o
documentário “Billie” e este artigo

“Strange Fruit” é uma canção fundamental. Acima podem encontrar um vídeo da sua interpretação e, abaixo, o poema na íntegra. 

Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees

Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is a fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the tree to drop
Here is a strange and bitter crop

 

 

"Strange Fruit”, poema de Abel Meeropol cantado por Billie Holiday.

 

ACTO II. Igbo Landing (1803) em “Love Drought” (2016) de Beyoncé

1.Still do vídeo de Love Drought
2. Ilustração de Donovan Nelson do suicídio em massa de Igbo Landing


Em 1803 um navio transportava escravos da África Ocidental para os EUA, perto da costa da Georgia, os passageiros tomaram o controlo do navio, recusando atracar e entregar-se à escravatura. Atiraram-se ao mar, num suícido em massa que se tornou numa história mítica não só para o povo afro-americano como para toda a diáspora negra. Ficou conhecido como Igbo Landing. É uma história imortalizada pela tradição oral, embebendo-se na cultura popular e chegando aos nossos dias. Beyoncé presta reverência ao acontecimento no vídeo de “Love Drought”. Este artigo traça um perfil social e cultural deste acontecimento, é uma reflexão interessante. Para compreender melhor o paralelo com “Love Drought”, que faz parte de Lemonade, recomenda-se episódio do podcast Dissect.

ACTO III. “I Am Not Your Negro”

O documentário de Raoul Peck, de 2016, foi realizado a partir de textos de James Baldwin, para um livro que não acabou, intercalado com entrevistas do autor. Estimula-nos a pensar sobre o racismo mas, muito além disso, sobre a humanidade.
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