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Newsletter Parent in Science
n.4 - Abril 2021


 

O que você vai encontrar nesta edição:

  • Dia Mundial da Conscientização do Autismo e Dia Internacional da Síndrome de Down (Trissomia do 21)
    • Parent in Science entrevista: a psicanalista Antônia Motta Roth
    • Relato: Minha história com o Autismo e a Lei de Redução de Jornada
    • Conteúdo audiovisual: Minha rotina: relatos de famílias sobre os cuidados  de filhos autistas e com Trissomia do 21
  • Maternidade no Lattes
    • A trajetória de uma demanda histórica
  • Propostas de ações
  • Parent in Science na mídia
Dia Mundial da Conscientização do Autismo e Dia Internacional da Síndrome de Down (Trissomia do 21) 
Progredir e competir, em uma carreira pautada por métricas de produtividade enquanto se é a principal ou única cuidadora de um filho, é extremamente desgastante e, muitas vezes, injusto.

Se colocarmos nessa equação as necessidades extras no cuidado de filhos com deficiência, a conta da inequidade e da sobrecarga materna disparam. De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, 7,5% das pessoas com deficiência no Brasil são crianças de até 14 anos. Neste grupo, as mães são as únicas ou as principais encarregadas de todas as tarefas de cuidado – um fato que pode impactar no desenvolvimento das carreiras das mulheres. 

Os mese de Março e Abril são marcado por duas datas muito importantes: o Dia Internacional da Síndrome de Down e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, e por isso, nessa newsletter, o PiS lhe convida a conhecer e refletir sobre os desafios extras de cientistas mães e pais de crianças com Trissomia do 21 e Autismo. Esse é apenas um primeiro passo para iniciarmos a discussão e a pesquisa sobre o impacto da parentalidade de filhos com deficiência na carreira científica.
 
 
Parent in Science entrevista
Nesta edição, entrevistamos a psicóloga e psicanalista Antônia Motta Roth, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA), que é mestre e doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
PiS: A partir da sua experiência profissional, como você enxerga na relação da parentalidade, mais especificamente da maternidade, os desafios adicionais que existem na relação vivida por mães e pais de filhos autistas? 
Eu acho que a gente precisa primeiro pensar como cada família lida com a criança, com o diagnóstico, e como cada criança lida com os desafios que ela encontra. Quando a gente tem uma criança com autismo, num âmbito geral, é uma criança que tem um fechamento muito forte.  O que faz com que os pais tenham um desgaste muito grande pra poder conseguir fazer certas coisas básicas do tipo alimentação, escovar os dentes, se vestir, tomar banho. Isso é um desafio à parte para além de toda a rotina. Então tu pensa todos os dias todo o tempo. E eu falo em nome das mães, porque geralmente na nossa cultura são elas que abrem mão de outros objetivos em prol de cuidar dessa criança. Porque cuidar dessa criança para além de todas essas rotinas diárias, tem a questão de levar essas crianças na terapia. Eu acho que criar uma criança já é difícil; criar uma criança com sinais de autismo, mesmo sendo leve, demanda um nível de persistência e de repetição que é extremamente desgastante.  

PiS: Falando mais especificamente sobe a sua experiência ou a literatura científica, existe algo que fale sobre esse impacto nas carreiras das mães, no desenvolvimento dos seus trabalhos?
No meu mestrado fizemos uma parte de avaliações de testes estatísticos de regressão logística, tentando fazer alguns cruzamentos a respeito dessa possibilidade. Então nessas avaliações, o que é que a gente pode ver? Que as mães que tinham algum projeto seja ele estudar, trabalhar, alguma atividade que dissesse do seu desejo, isso repercutia na relação com a criança de forma muito positiva. Pensar o contexto em que essa acriança está inserida pode ter efeitos positivos para esses momentos de abertura da criança, que é a principal direção de tratamento. E eles podem trazer muito mais benefícios do que botar a criança em várias terapias. Então, por exemplo, eu acho que avaliar o contexto, as condições como estão os personagens que fazem parte da rotina dessa criança, tem uma importância fundamental, talvez tanto quanto a terapia da criança.

PiS: Seria o caso de pensar que essas mães também possam olhar pra elas próprias?
Olhar pra si, eu acho que se de alguma forma elas conseguirem, dentro desse contexto, que seja algo muito pequeno, mas algo que de alguma forma resgate algo que é delas, algo que seja possível. Como ter acesso a algum suporte, seja de análise, seja da terapia que acharem válida, pois as terapias têm uma função de acordo com cada pessoa. Acho que isso é muito importante.
 

Minha história com o Autismo e a Lei de Redução de Jornada
Texto de Josiane C. Cruz

"Embora já desconfiássemos do diagnóstico do nosso filho, aquela manhã de 18 de outubro de 2019, receber o laudo contendo os dizeres CID F84.0 (sigla para o autismo infantil), fez com que o nosso mundo desabasse. Eu me lembro de ter ficado meio zonza na hora... 

Depois, eu e o meu esposo, deixamos o Raul na escola, acho que pouco conversamos no caminho e eu fui para o meu trabalho. Lá, acredito que muitos devem ter reparado no meu semblante ou, eu mesma, devo ter dito alguma coisa, não lembro... Mas, uma das secretárias que tem uma neta portadora de deficiência, veio ao meu encontro e disse que havia pedido para a filha vir à tarde conversar comigo, eu agradeci imensamente e nunca vou me esquecer de suas tão importantes palavras naquele dia: “Nós não a deixaremos só”. À tarde eu conversei com a Tereza, a filha da secretária, que também é servidora pública, depois de contar a sua experiência e dizer como sua filha, hoje é uma adolescente muito alegre e independente. 

Naquele momento eu estava completamente perdida, pois o laudo médico indicava, para o tratamento do meu filho, seis diferentes tipos de terapias. Dentre tantas outras preocupações, havia essa; como iríamos conciliar o trabalho e as terapias diárias?. Então, Tereza me deu a boa notícias; eu teria direito à redução da jornada de trabalho

No dia 19 de novembro, eu já estava com o protocolo da perícia médica da minha instituição em mãos. Não foi difícil consegui-lo, tendo o laudo minucioso da neuropediatra que havia feito o diagnóstico. Logo, o meu chefe imediato foi informado sobre as seis horas de redução da jornada de trabalho a que eu tinha direito. 

Raul, meu filho, faz terapias diárias; por isso essa lei é essencial para que os pais frente a tantas horas com especialistas e consultas médicas, consigam conciliar o trabalho com a jornada das terapias. Além disso, é importantíssimo que não haja redução salarial, assim como a lei determina, pois os custos do tratamento são altíssimos, mesmo tendo o plano de saúde e a liminar judicial para a cobertura do tratamento (esse seria um assunto importantíssimo para outra discussão). 

Como trabalho em um campo muito competitivo e realmente gosto muito do que faço, não seria eu mesma se não pudesse fazer o meu trabalho... Na prática, para mim é muito difícil não cumprir a minha jornada integral de trabalho diário. Para tanto, me revezo com meu esposo no acompanhamento do meu filho às terapias, uma vez que meu esposo é autônomo, o que felizmente facilita muito a nossa rotina. Entretanto tenho plena consciência de que nosso caso é uma exceção, pois muitas mães de crianças com deficiência, são mães solo. E quando passo minhas manhãs acompanhando o meu filho às terapias, acabo me dedicando ao trabalho na parte da tarde, noite e até mesmo de madrugada. Nossa rotina é corrida e muito cansativa; trabalho, terapias, terapias, trabalho. Mas eu sinceramente faço tudo da melhor maneira possível e sou muito grata pelo meu filho poder ter o tratamento adequado e eu e meu esposo podermos ter um ao outro e tempo disponível para poder sempre estar ao lado do nosso filho, mesmo que de maneira reveza."


Conteúdo audiovisual
Minha rotina: relatos de famílias sobre os cuidados de filhos autistas e com Trissomia do 21




Março e abril são marcados por dois dias muito importantes: o Dia Internacional da Síndrome de Down (Trissomia do 21) e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

No PiS, buscamos trazer para a academia a discussão sobre o impacto da parentalidade de filhos e filhas com deficiências na carreira de cientistas e assim, podermos influenciar no desenvolvimento de políticas de apoio.  Nesta edição, contamos com a participação de pais e mães cientistas que gentilmente compartilharam relatos sobre o dia a dia entre a vida acadêmica e os cuidados de seus filhos e filhas.  

 
Assista ao vídeo aqui
Maternidade no Lattes

Que alegria enorme podermos incluir esta feliz notícia em nossa newsletter: a maternidade entrou no Currículo Lattes!
Esta pauta foi lançada por nosso movimento em 2016 com o intuito de mitigar a questão das lacunas nos currículos que tanto prejudicam as avaliações de produtividade cientistas mães.
 Quer saber mais sobre esta conquista? Confira nossa timeline abaixo com os principais momentos dessa trajetória!



Leia aqui o anúncio do CNPq
Propostas de ações
  • No final de março, o GT "Mulheres na Ciência" da UFF divulgou uma carta endereçada aos Programas de Pós-Graduação com propostas de ação para mitigar as desigualdades agravadas durante a pandemia para as discentes mães de graduação e de pós-graduação. Leia o documento e as recomendações na postagem.
                                
  • O grupo MaternaCiência, composto por mães cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgou uma moção de apoio às mães unifespianas em defesa de medidas emergenciais durante a pandemia de COVID-19 e permanentes pela valorização da carreira. Interessadas/os em conhecer as propostas e declarar apoio, podem acessar o documento aqui.
Parent in Science na Mídia
                 
 

O PiS esteve, mais uma vez, presente em diversos canais de comunicação brasileiros. Desta vez, a temática mais repercutida foi a que trata da “Maternidade no Lattes”, que depois de mais dois anos de luta do movimento, teve sua inclusão anunciada pelo CNPq. Em seu site, a entidade informou, no último dia 07, que “realizou evolução no currículo a fim de permitir o registro de períodos de licença-maternidade”.

A partir de então, diversos outros veículos de comunicação têm dado visibilidade a mais essa bandeira do movimento, que entrou em vigor no último dia 15. A Folha de São Paulo anunciou que “Currículo Lattes passará a ter nova seção para indicar período de licença maternidade”.  A Revista Pesquisa Fapesp abordou o histórico do nascimento do Parent in Science, mostrando a luta do movimento para inclusão da maternidade no currículo, trazendo uma entrevista com a coordenadora do movimento. A Agência Brasil lembrou que com esta ação “O Currículo Lattes permitirá o registro dos períodos de licença-maternidade de pesquisadoras”

O Correio Brasiliense informou que “CNPq inclui campo licença maternidade no currículo lattes”. A CNN Brasil apresentou o tema, mostrando que “O currículo Lattes permitirá o registro dos períodos de licença-maternidade. O “UOL” diz que “Mulheres cientistas já podem registrar licença-maternidade no Lattes". A Revista Crescer enfocou “Maternidade agora conta no Lattes”. O blog Cientistas Feministas trouxe uma reportagem apresentando a novidade e mostrando as dificuldades de cientistas de diversas áreas em conciliar produtividade e cuidados com seus filhos pequenos.

Conheça  algumas das matérias que abordaram essa temática, nos links a seguir:

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A Newsletter Parent in Science é o boletim eletrônico mensal do movimento Parent in Science, com novidades sobre políticas, ações, pesquisas recentes, oportunidades e eventos que envolvam as questões da maternidade na ciência.
Redatoras: Alessandra Brandão, Beatriz Muller, Camila Infanger, Gabriela Reznik, Milena Freire e Rossana Soletti.
Editora: Camila Infanger.
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