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Newsletter Parent in Science
n.5 - Maio 2021


 

O que você vai encontrar nesta edição:

  1. Maternidade no Lattes  
    • Afinal, qual é a importância? 
    • O que significa para você?
    • Entrevista com Dra. Zaira Turchi sobre a perspectiva do CNPq acerca da inclusão da maternidade no lattes
  2. Maternidade nos Programas de Pós-Graduação (PPGs)
    • Parent in Science Entrevista:
      • Dra. Juliana Petermann, e sua perspectiva pessoal sobre a maternidade na pós-graduação
      • Dra. Pamela Billig de Melo Carpes e Dra. Letícia Oliveira  -  pesquisadoras de PPGs que já assumiram o compromisso da inclusão da maternidade
  3. Ações e Propostas - Guia de boas práticas GTPEG UFRJ (Orientações de apoio às pessoas cuidadoras na universidade durante a pandemia)
  4. Parent in Science na Mídia 
Maternidade no Lattes
Afinal, qual a importância da inclusão da licença-maternidade no currículo Lattes?


 
“Viver não cabe no Lattes”. Ter um filho também não cabe, mas pelo menos agora a licença-maternidade vai caber.

No cenário de análise igualitária, a maternidade pode impactar nas conquistas adquiridas nos anos de doutorado e pós-doutorado. Assim, a produtividade das cientistas brasileiras sofre uma queda após o nascimento dos filhos, que se estende por pelo menos quatro anos após este evento. Neste contexto, onde a maternidade é um dos principais fatores sobre o Efeito Tesoura observado na academia, que se dá a importância de termos nossos períodos de licenças maternidades incluídos no currículo Lattes. Leia o artigo completo da pesquisadora Rossana Soletti aqui.
 
O que significa a #maternidadenolattes para você?

Confira abaixo as palavras e expressões mais citadas pelas/os respondentes da enquete no Instagram do Parent in Science:

Com a palavra, Dra. Zaira Turchi: 
a perspectiva do CNPq sobre a inclusão da maternidade no lattes



.  
"Não se trata de escolher ter filhos ou fazer a carreira acadêmica e científica, trata-se de considerar a necessidade para as pesquisadoras de uma flexibilização na carreira, considerando a maternidade. Certamente, essa informação permite a flexibilização das carreiras das pesquisadoras e a construção de políticas públicas de ciência que olhem para as mulheres no percurso de suas trajetórias acadêmicas, em prol da igualdade de gêneros e da diversidade na participação em projetos de pesquisa e inovação.  Em momento oportuno, o CNPq fará esse levantamento e análise desses dados [relativos ao fluxo de atualizações].

A disponibilidade da informação da licença maternidade no Lattes permitirá às agências de fomento federais e estaduais e aos Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT) considerarem a flexibilização da carreira das mulheres na avaliação da produção científica e tecnológicas em Chamadas Públicas e outras ações, [assim como] novas políticas e ações poderão ser implementadas pelas instituições de ciência e tecnologia no Brasil."

 
Leia a entrevista na íntegra aqui
Maternidade nos Programas de Pós-Graduação

A inserção do campo de licença-maternidade no Currículo Lattes foi uma importante conquista da ciência brasileira neste ano e deve abrir as portas para que mais instituições de pesquisa e ensino superior no Brasil passem a considerar a maternidade em seus processos seletivos. Nos anos de 2019 e 2020, diversos editais de financiamentos e bolsas de pesquisa no Brasil incluíram a maternidade em suas cláusulas, permitindo um ou mais anos de análise do currículo para cientistas que tiveram filhos. Uma importante pauta a partir de agora é que os editais de Programas de Pós-Graduação (PPG) passem a também incluir a maternidade em suas avaliações, tanto para o credenciamento de docentes quanto para a seleção de discentes.

Nesta edição da newsletter, conversamos com duas pesquisadoras de PPGs que já assumiram o compromisso da inclusão da maternidade: Dra. Pamela Billig de Melo Carpes, orientadora nos PPGs em Ciências Fisiológicas e Bioquímica da UNIPAMPA e Dra. Letícia Oliveira, professora da Universidade Federal Fluminense e coordenadora da área biológica da FAPERJ.

  •     Dra. Pamela Billig de Melo Carpes    
                                          
"A temática da maternidade e ciência já vem sendo trazida para debate nas comissões de curso e em eventos institucionais pelo GT Mulheres na Ciência da Unipampa e por integrantes do Parent in Science, servidoras e discentes da nossa instituição. No PPG Multicêntrico em Ciências Fisiológicas (PPGMCF) propusemos a inclusão da licença maternidade no Lattes, considerando a adoção de um fator de correção para a pontuação atribuída ao currículo daquelas candidatas que são mães. A partir da proposição, justificativa da importância e demonstração de como poderia ser implementado, houve apoio de todo grupo. Já no PPG Bioquímica, sugerimos que na avaliação do currículo das professoras candidatas ao credenciamento ou recredenciamento como orientadora junto ao PPG que são mães, fosse considerado um fator de correção. Acredito que em muitos casos a consideração da maternidade nos processos seletivos de ingresso na pós-graduação e no credenciamento de docentes não esteja ocorrendo porque não houve nenhuma proposição neste sentido. Desta forma, é importante que docentes, representantes discentes e gestores de pós-graduação levem o tema e as proposições ao grupo, comissão de curso, ou comissão coordenadora."          
  •       Dra. Letícia Oliveira
                                      
 
"Vários fatores explicam a dificuldade das mulheres em alcançar o topo. A maternidade é um destes fatores. Como sempre comentamos, a maternidade não é um problema, mas sim a falta de políticas de apoio às mães na academia. É preciso implantar políticas compensatórias para uma avaliação justa de produtividade. Um fator de grande preocupação é o afastamento das docentes e discentes dos PPGs por conta do impacto da maternidade. Nosso PPG conta com mulheres atuantes na questão de equidade de gênero. Naturalmente sempre discutimos nas reuniões a importância da inclusão de políticas de apoio à maternidade. É preciso sensibilizar o corpo docente e discente sobre a temática. A realização de discussões e palestras pode ser uma estratégia importante, [assim como] fazer um levantamento do problema entre os docentes e discentes também é uma boa ideia. "                                               

                             

Leia as entrevistas na íntegra aqui

Minha experiência com a maternidade na Pós-Graduação

Conversamos também com a pesquisadora e professora do PPG em Comunicação da UFSM Juliana Petermann, que é doutora em Comunicação pela Unisinos. Juliana é mãe do Moreno, de 1 ano e 3 meses e iniciou sua licença-maternidade no período da pandemia.
 
                                 
 
"A carreira acadêmica exige muito tempo e concentração. Duas coisas que não são compatíveis com a maternidade. Nossa carreira compreende ensino, pesquisa e extensão e cada uma dessas coisas apresenta demandas muito específicas. Como eu imaginava que seria: 'quando terminar minha licença-maternidade, meu bebê irá para a creche e terei esse tempo livre para o trabalho'. Expectativa versus realidade né? Tenho procurado me respeitar e saber dos meus limites, mas não é uma tarefa fácil.
Tem uma cobrança que é institucional e que é inclusive documentada em plataformas e sistemas, como o Lattes e o Sucupira. Mas tem também uma autocobrança, porque fomos condicionadas a um ritmo alto de produçãoCom a maternidade, a nossa capacidade de produzir academicamente fica muito limitada.
Eu lembro que antes de sair de licença-maternidade uma pessoa, no contexto da universidade, me sugeriu que eu me desligasse do programa de pós-graduação visto que minha produção cairia. A sugestão é que eu passasse de docente permanente à docente colaboradora do programa. A postura da universidade deveria ser muito mais de 'estamos contigo', 'conte conosco' do que 'você não vai dar conta disso agora que tem um bebê'. Além do medo de possivelmente não dar conta, de encarar a realidade de não dar conta efetivamente, ainda fica uma grande sensação de desamparo.
Precisamos avançar no modo como entendemos a maternidade e as diferenças que fazemos em relação à paternidade. Parece sempre mais 'natural' que a mãe abra mão do seu trabalho para cuidar das crianças. Mas isso é meramente uma convenção.
Acho fundamental [a inclusão da maternidade na Sucupira]. Assim a maternidade se torna visível e passa a fazer parte da vida da pós-graduação. Na prática, quase que somos cobradas por continuar publicando, orientando e produzindo durante a licença. Como os programas de pós-graduação recebem uma cobrança muito grande por produção, é como se ninguém pudesse parar ou diminuir o ritmo pois estaria assim 'prejudicando' o programa como um todo."
 
Leia a entrevista na íntegra aqui
Ações e Propostas
                                            
 
O GT de Parentalidade e Equidade de Gênero (GTPEG) da UFRJ lançou o Guia de Boas Práticas de Apoio à Parentalidade e às Pessoas Cuidadoras em Atividade na UFRJ, com orientações para melhorar as condições de trabalho, pesquisa e ensino durante as atividades remotas para docentes, discentes e servidoras/es técnicas/os. Entre as ações propostas, estão a flexibilização do horário de expediente ou aulas, extensão de prazos para entrega de trabalhos, fortalecimento da rede de apoio e divisão de tarefas entre colegas, e uma maior sensibilidade de chefias e orientadores.
Leia o Guia completo aqui
Parent in Science na Mídia
                                          
 

No último mês, o PiS teve sua presença registrada em diversas matérias abordando desdobramentos do tema “Maternidade no Currículo”, que desde abril teve esse espaço aberto às mães cientistas. Entidades como Academia Brasileira de Ciências registraram a conquista. A editoria de economia da UOL abordou o fato como “Profissão Mãe: Linkedin e Lattes abrem espaço para licença no currículo”. Matéria realizada pelo jornal da UFRGS destacou que a “Inclusão da Licença Maternidade no currículo chama atenção para o desafio se ser mãe e manter a carreira científica”, abordando dados que mostram queda na produção científica das mulheres até os primeiros quatro anos dos filhos. 

Outro tema abordado pelo Movimento que teve repercussão na mídia foi a “Carta Aberta sobre as indicações aos Comitês de Assessoramento do CNPq”. Páginas da Sociedade Brasileira de Física e  “filosofas.org” abordaram a questão. A Fapesq (Fundação de Amparo à Pesquisa da Paraíba)  anunciou que “Movimento Parent in Science pede maior diversidade em conselhos do CNPq”, apresentando dados oferecidos pelo movimento. Roberto Germano, presidente da Fundação, reconhece a importância desse posicionamento, uma vez que o mesmo “ é muito importante para que a participação da mulher na ciência seja cada vez mais forte.

Acesse o link das matérias abaixo:

 

 

Ouça nossa entrevista no podcast Papo de Exatas
Assista a matéria vinculada pela TV UNESP
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A Newsletter Parent in Science é o boletim eletrônico mensal do movimento Parent in Science, com novidades sobre políticas, ações, pesquisas recentes, oportunidades e eventos que envolvam as questões da maternidade na ciência.
Redatoras: Alessandra Brandão, Beatriz Muller, Camila Infanger, Gabriela Reznik, Milena Freire e Rossana Soletti.
Editora: Camila Infanger.
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